Você pensa na conseqüência dos seus atos? Sinceramente, você acredita que tudo o que você fez, para o bem ou para mal, se paga apenas nessa vida?

A história de hoje nos leva de volta à época em que se matava por um punhado de dólares. Na época e no local em que não fazia diferença se você era bom, mal ou feio.


Pistoleiros ao Entardecer (L. F. Riesemberg)

De botas e chapéu, os cinco chegaram montados em seus cavalos. A cidade estava quase deserta, com seus poucos habitantes já recolhidos ou trancando suas portas.
Estavam sujos e barbudos, com as armas à mostra, cavalgando lentamente pela terra batida. Olhos curiosos observavam pelas janelas enquanto eles desciam dos animais e caminhavam até o bar.
O líder do bando, com olhos perdidos e voz cavernosa, pediu uma rodada de conhaque.
-Desculpe, mas estamos fechando – disse o proprietário, visivelmente incomodado.
O bando permaneceu em silêncio, aguardando as bebidas.
-Você me ouviu? Estamos fechando.
Mas nem aquilo ou os passos às suas costas pareceram lhes incomodar. Permaneceram imóveis, silenciosos, mesmo quando o xerife anunciou sua chegada.
-Senhores, o bar já fechou. Não estão vendo as cadeiras em cima das mesas? O que procuram por aqui?
O líder voltou-se para o xerife, e os outros quatro o imitaram.
-Viajamos muito. Queremos descansar.
-Bem – disse o xerife – Acho que vocês terão que cavalgar até a cidade vizinha.
Suas mãos estavam próximas o bastante do coldre, para caso fosse preciso sacar o revólver.
O líder do bando o encarava com olhos que expressavam cansaço e indiferença.
-Escutem aqui – continuou o xerife, alterando a voz. –Vocês vão sair por onde entraram, colocarão suas bundas sobre seus cavalos, e sairão da minha cidade sem olhar para trás, entenderam?
Eles continuaram parados, com olhares débeis.
O xerife irritou-se e sacou a arma.
-Muito bem, vocês estão presos. Joguem suas armas para cá.
Não houve qualquer reação por parte dos cinco.
-Nós podemos resolver isso de um jeito fácil ou difícil. Qual vai ser?
E engatilhou o revólver.
Nisso, o local foi invadido pelos passos apressados de uma jovem.
-Christie? O que você está fazendo aqui? Volte logo para casa!
Ela ficou parada entre o bando e o xerife.
-Não, querido! Abaixe a arma. Você precisa deixá-los ir!
-Mas o que você está falando? Saia logo daqui. Não vê que eles são perigosos?
Eles continuavam lá, com a mesma expressão exausta, sem emitir qualquer som.
-Deixe-os ir, por favor!
Ela e o xerife abriram caminho, e todos os cinco deixaram o bar com passos pesados. Lentamente subiram em seus cavalos e seguiram para o Oeste.
-Eram eles, querido! Você não os reconheceu? Os assassinos de Valley River!
-O que? Você ficou louca, Christie? É impossível que sejam eles.
Ela estava ofegante, com os olhos arregalados.
-Eles foram contratados para matar uma pessoa de lá, mas como não sabiam exatamente quem era, assassinaram toda a cidade, inclusive as crianças.
O xerife procurou fingir alívio.
-Minha querida, eu conheço esta história. Foi o massacre mais sangrento de que se tem notícia neste canto do país. Eu mesmo já estive lá em Valley depois disto, e tive calafrios. Não sobrou ninguém na cidade! Mas Christie, não é possível que estes homens que entraram aqui sejam eles, porque aqueles foram capturados, presos e enforcados.
O xerife estava certo. O que ele não sabia era que, desde então, os cinco pistoleiros cavalgavam eternamente de cidade em cidade, procurando o homem que os contratou para cobrarem o ouro prometido.

 


Crétidos:

escrito por
L. F. RIESENBERG
http://www.riesemberg.com.br

produzido, gravado, editado e narrado por
CARLOS AUGUSTO LEÃO
http://caleao.net

arte da capa
GABRIEL VICTOR
http://semperfooo.deviantart.com/

voz da vinheta
MÁRCIO SEIXAS
http://marcioseixas.com.br/

música tema
SIMON CHARRIER
http://www.simoncharrier.net

colaboração
GILHERME COELHO REIS
PRISCILLA OLIVEIRA


#TCF #pracegover #pracegoouvir

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